Conheça mais sobre o beyond budgeting aqui!

Ainda que orçamentos sejam necessários e fundamentais, em certos casos, eles podem ser paralisantes. Assim, o beyond budgeting é a alternativa para que as empresas não sejam “escravas” dos seus respectivos budgets. Na verdade, esse nem chega a ser um problema recente, afinal, desde que existe atividade econômica, um dos desafios mais complexos é equilibrar custos e receitas. Então, por que considerar esse modelo orçamentário?

Um bom motivo para isso é que, hoje, as empresas são impulsionadas pela inovação. Por isso, não é mais possível — nem vantajoso — vincular resultados a orçamentos engessados e que exijam rigorosa obediência.

Portanto, veja nos próximos tópicos como funciona, como aplicar e o que considerar antes de colocá-lo em prática para ter resultados melhores.

Confira!

Como surgiu o beyond budgeting?

O termo beyond budgeting, em português, remete à ideia de ir além do orçamento, ou seja, não limitar os resultados em função das restrições orçamentárias. Foi isso que buscou o Handelsbanken, tradicional banco da Suécia que, em 1972, abandonou definitivamente os modelos de orçamento empresarial tradicionais. 

O motivo foram os resultados ruins que a empresa teve por causa desse tipo de gestão financeira, dependente em demasia dos recursos disponíveis. Nos anos seguintes, ela viria a ser seguida por diversas outras empresas europeias e, hoje, gigantes como Toyota, Siemens, Unilever, entre outras, usam essa abordagem inovadora para orçar seus projetos.

Se empresas de sucesso em seus segmentos adotam esse modelo é porque ele, de fato, é vantajoso se comparado aos comumente usados. Dito isso, vamos ver o que diferencia o beyond budgeting e o torna tão atrativo?

Quais as diferenças para o orçamento tradicional?

Na prática, o “orçamento além do orçamento” é bastante parecido com o modelo de orçamento flexível. Sendo assim, ele consiste em uma abordagem na qual metas e projetos deixam de depender de budgets preestabelecidos para serem custeados a partir de um conjunto de 12 princípios.

Isso mesmo, não há ferramentas de cálculo complexas, mas diretrizes no sentido de orientar a aplicação dos recursos em estratégias de médio prazo. A seguir, conheça esses princípios conforme enunciado pelo Beyond Budgeting Institute:

Governança e Transparência

  • valores — linkar as pessoas a uma causa comum, não a um plano;
  • governança — gerenciar por meio de valores compartilhados e bom senso, evitando normas e regulamentos minuciosos demais;
  • transparência — fazer com que as informações sejam divulgadas de forma transparente e sem restrições.

Equipes Responsáveis

  • equipes — organizadas em uma rede contínua de equipes corresponsáveis, nas quais as funções e as atribuições não sejam centralizadas;
  • confiança — dar autonomia às equipes para controle do seu desempenho, evitando a microgestão;
  • responsabilidade — fundamentar a responsabilidade por meio de critérios abrangentes e que privilegiem as revisões por pares, abolindo as relações baseadas na hierarquia.

Metas e recompensas

  • metas — equipes são estimuladas a definir metas ambiciosas e que não sejam subordinadas a contratos fixos;
  • recompensas — as recompensas devem ser concedidas com base no desempenho relativo e não em metas fixas.

Planejamento e controles

  • planejamento — o planejamento deve ser um processo inclusivo, contínuo e não um evento anual imposto de cima para baixo;
  • coordenação — as relações de trabalho são coordenadas dinamicamente, não devendo ser pautadas por orçamentos anuais;
  • recursos — os recursos devem ser disponibilizados no momento certo, não somente quando necessário;
  • controles — as variações no budget não são mais o instrumento de controle, mas sim o feedback rápido e frequente.

Quais vantagens esse modelo apresenta?

O salto de qualidade ao ir além do orçamento é que, assim, a empresa ganha muito mais capacidade de se antecipar e dar respostas adequadas aos seus desafios. Afinal, estamos todos imersos na transformação digital, movimento de alcance global no qual inovar é questão de sobrevivência.

Por outro lado, é preciso considerar que nem toda empresa tem o nível de maturidade adequado para adotar o beyond budgeting. Isso porque ele requer um alto grau de comprometimento de todos, desde os mais altos escalões até o pessoal da linha de frente. Se você entende que sua empresa está pronta para aderir, confira na sequência quais vantagens ela possivelmente terá com essa nova ferramenta de gestão orçamentária.

Gestão flexível 

Diferentemente do orçamento base zero, no qual o budget é traçado sem considerar o panorama atual, na abordagem beyond, ele é construído em cima de projetos e metas de médio prazo. Como veremos mais à frente, ele deve partir de um caso concreto de uma empresa do mesmo segmento que o tenha aplicado de forma bem-sucedida. A partir disso, a gestão torna-se menos dependente de orçamentos e as metas passam a ser orientadas por equipe e não por setores inteiros, embora isso ainda possa ser feito.

Menos pressões para atingir metas 

Um dos problemas nas empresas que usam orçamentos rígidos é que seus gestores, com medo de perder verbas, buscam maneiras de consumir todo o seu orçamento anual. Isso os leva a pressionar suas equipes para atingir metas a todo custo.

Maior engajamento

Já em relação ao orçamento incremental, a diferença é que a montagem deixa de ter como única referência o ano que passou. Cada equipe deve administrar seus recursos o que, em última análise, leva a um maior engajamento com suas metas. 

Mais ética e transparência

Resumindo, no beyond budgeting, saem de cena os métodos orçamentários rígidos, que dão lugar ao planejamento descentralizado e autônomo de cada setor ou equipe. A consequência esperada é um ambiente de trabalho menos sujeito a pressões excessivas, no qual a comunicação é mais direta e sem as amarras dos orçamentos convencionais.

Como fazer um beyond budgeting de sucesso?

Para ir além do orçamento, o passo mais importante é escolher um benchmarking externo que sirva de modelo. A partir dele, a empresa definirá metas de médio prazo de caráter variável e que considerem o cenário no qual a empresa se encontra.

Assim sendo, o beyond budgeting pode ser desafiador porque toma como referência casos concretos de empresas congêneres, o que nem sempre é facilmente encontrado. Em contrapartida, para alguns segmentos, essa não chega a ser uma dificuldade. Por isso, não deixe de avaliar se a sua empresa realmente está em um mercado no qual o acesso às informações sobre concorrentes está disponível, certo?

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