estratégia e planejamento estratégico

Estratégia e Planejamento Estratégico: entenda a diferença, comece pelo porquê e se destaque

Muitos gestores preocupam-se em fazer planejamento estratégico para suas empresas, com o objetivo de que gerar resultados e crescer de maneira consistente. Dedicam tempo e energia para essa etapa, o que é certo. Porém…

Muitas vezes se esquecem que há outro fator importante nesse processo: a definição de uma estratégia. Isso porque a estratégia é fundamental, já que é um direcionador maior e mais amplo. 

Para esclarecer de uma vez por todas a diferença entre estratégia e planejamento estratégico, nós preparamos este artigo onde vamos abordar seus conceitos, sua relação, o que uma metodologia ágil como a OKR tem a ver com isso, a importância de se adotar uma filosofia como a Golden Circle e diversas outras informações.

Siga lendo para conferir!

O que é estratégia e quais são os tipos

Para começar, vamos falar sobre o conceito de estratégia dentro de um contexto empresarial. Uma estratégia, antes de tudo, serve para estabelecer a direção que uma determinada organização deve seguir.

Dessa forma, ela direciona para um melhor aproveitamento dos recursos disponíveis, sejam eles de quais naturezas forem, como físicos, financeiros, pessoais e tecnológicos. Além disso, a estratégia inclui a forma como a empresa vai responder aos desafios e aos riscos enfrentados no mercado.

Sendo assim, sem dúvida a estratégia é essencial para que a empresa cresça de forma sustentável. 

Talvez você não saiba, mas existem diferentes tipos de estratégia. Abaixo, saiba mais sobre cada uma delas:

Estratégia de crescimento

As estratégias de crescimento são aquelas que visam o aumento dos lucros, das vendas ou da própria participação no mercado, o que tem como resultado o aumento do valor da empresa. Um exemplo é o lançamento de novos produtos, que pode ter como consequência o aumento do volume de vendas e, assim, mais lucro.

Para que uma estratégia de crescimento tenha um resultado positivo, é interessante levar em consideração algumas das seguintes ações:

  • Inovação: em um cenário onde a evolução tecnológica é cada vez mais veloz, é importante buscar um desenvolvimento contínuo, com pesquisas de tendências para lançamentos de novos produtos e serviços.
  • Expansão: inclui movimentos como a abertura de uma filial da empresa em outro local, a introdução de franqueados, a entrada em novos mercados e a fusão ou aquisição de outro negócio.
  • Joint venture: quando duas empresas decidem se associar para produzir um produto e, juntas, entrar em um novo mercado. Por exemplo, uma pode entrar com o capital, enquanto a outra com a tecnologia e expertise.
  • Internacionalização: quando a empresa determina que está na hora de ampliar sua operação para fora do seu país de origem e de uma única sede, estabelecendo-se em novos países e mercados.

Estratégia de manutenção

Já a estratégia de manutenção tem como função principal a definição das ações necessárias para manter a posição da empresa conquistada até o momento, de forma com que siga atuante no mercado, sem retrocessos.

As ações dentro dessa estratégia devem envolver o fortalecimento dos pontos fortes, bem como a minimização dos pontos fracos. Em outras palavras, estamos falando de uma estratégia que atua de forma defensiva. 

Assim, prepara a empresa para enfrentar dificuldades futuras que possam acontecer. Podemos citar como exemplos uma crise econômica, a baixa ou alta do dólar, a entrada de um concorrente forte, entre outros.

É uma estratégia que faz com que a empresa precise identificar as potenciais ameaças à sua sobrevivência. Por outro lado, também faz com que se dê conta dos seus pontos fortes, como recursos humanos ou tecnológicos.

Estratégia de investimento

Na estratégia de investimento, como o próprio nome sugere, as ações têm como objetivo principal a utilização dos recursos financeiros da empresa. Essa estratégia prevê um planejamento realizado com bastante atenção para que não aconteçam prejuízos, e o que ninguém quer, perda de dinheiro.

Um investimento estratégico, então, só deve ser colocado em prática quando a empresa já pesquisou bastante sobre o mercado onde atua, quais e quantos são os concorrentes diretos e indiretos, e qual é o principal comportamento dos clientes. Assim, é possível identificar corretamente qual é o setor que fará com que a empresa ganhe destaque.

Para que uma estratégia seja bem-sucedida, independentemente de qual tipo for, é imprescindível a realização de um planejamento, para que assim seja possível não só alcançar os resultados, mas estabelecer caminhos certeiros até eles. Vamos falar sobre isso em seguida!

O que é Planejamento Estratégico

Agora, chegou a vez de falar sobre planejamento. Do latim planus, a palavra planejamento tem como significado “superfície plana” e está associada a mapas e documentos. Quando entramos no mundo dos negócios, podemos dizer que o planejamento é a estrutura do que precisará ser construído e realizado pelas equipes e por toda empresa em busca dos objetivos já estipulados – ou seja, em busca da realização das estratégias. 

Nada mais é, em outras palavras, do que transformar uma ideia em realidade, ao passar do plano mental para o plano físico, colocando em prática o que antes só existia na imaginação.

Sendo assim, o planejamento serve para determinar com antecipação as ações que precisam ser feitas para que ocorra de fato a realização de algo, seja uma tarefa, um projeto ou um empreendimento. É como se fosse um passo a passo a ser concretizado ao longo do tempo, até que se atinja sua conclusão no futuro.

O fato é que quando uma empresa não se planeja, ela na verdade está se planejando para fracassar. Por isso, é fundamental que as organizações tracem e desenvolvam suas atividades a partir de um planejamento estratégico, que também deve passar por renovações e atualizações, para acompanhar as rápidas mudanças da nossa sociedade.

Qual é a diferença entre Estratégia e Planejamento Estratégico

Curiosamente, poucas pessoas realmente sabem que estratégia e planejamento estratégico são coisas diferentes. É importante acabar com essa confusão porque ela pode impactar diretamente no desenvolvimento de um negócio.

Então, vamos lá: enquanto a estratégia significa um pensamento criativo e livre para tornar alguma coisa real, o planejamento estratégico possui regras definidas e segue um padrão lógico para que seja implementado, como em um processo com início, meio e fim.

Nesse sentido, a estratégia é antes de tudo saber o que a empresa quer; correr riscos e investir? Crescer de forma consistente e sólida? Manter-se estável sem ser notada como pioneira?

Feito isso, entra em cena o planejamento estratégico, que é quem vai tornar a estratégia possível. Pode ser traduzido como “Como”, “quando” e, “de que forma”, por envolver etapas e cronogramas.

As estratégias, então, são as definições de “quem” a empresa quer ser e como quer se posicionar no mercado, enquanto o planejamento estratégico trata sobre desdobrar a estratégia.

Ficou claro? Vamos para o próximo tópico!

Qual é a relação entre Estratégia e Planejamento Estratégico?

Mesmo que sejam coisas diferentes, é claro que você já deve ter percebido que há sim uma relação entre estratégia e planejamento estratégico. Ambos andam juntos, mas cada um deve ocupar o seu lugar da forma correta. 

Qual é a forma correta? A estratégia é um direcionador maior e o planejamento estratégico deve ser uma consequência da estratégia. Isto é, o planejamento precisa ser orientado pela estratégia, independentemente da metodologia utilizada na definição dos objetivos e planos (como as já conhecidas BSC, OKRs, GPD e etc.).

É importante ter isso em mente de forma bem clara, porque muitos gestores e empresas cometem o erro de não definir uma estratégia ao criar o planejamento, principalmente quando utilizam OKRs. Isso faz com que essas empresas chamem o próprio planejamento e seus objetivos de estratégia, quando na verdade não são. 

A estratégia e o planejamento estratégico devem ser realizados de forma integrada, além de apoiados por uma metodologia. 

A Estratégia Ágil e os OKRs 

Infelizmente, um erro comum em algumas empresas que optam por utilizar os Objetivos e Key-Results, ou apenas OKRs, é acreditar que o fato de se utilizar uma metodologia ágil significa que uma estratégia mais robusta por trás não é necessária, o que acaba por transformar os OKRs em uma simples gestão de KPIs e metas.

Isso significa desperdiçar o potencial da estratégia ágil, que tem como objetivo maior fazer com que a empresa tenha habilidade e capacidade para seguir crescendo em um ambiente incerto e volátil, com riscos e oportunidades imprevisíveis, podendo ainda contar com o importante auxílio de tecnologias digitais.

Na era em que vivemos, a era digital, chegou a hora das empresas redescobrirem o  significado da estratégia competitiva, unindo o pensar e o agir. O planejamento estratégico tradicional se baseava no controle e na previsibilidade, enquanto que a estratégia ágil lida com a incerteza, a aprendizagem e a criatividade. Assim, é possível responder às mudanças rapidamente, sem ficar engessado em um plano estabelecido que já é “velho”.

Como a filosofia Golden Circle pode ser uma aliada? 

Criado pelo especialista em liderança Simon Sinek, o conceito de Golden Circle (em português, Círculo Dourado) propõe a criação e o desenvolvimento de um novo negócio a partir de três importantes pontos fundamentais ou três perguntas-chave. 

O movimento começou quando o autor decidiu pesquisar empresas e líderes (como Apple e Martin Luther King) que conseguiram ou ainda conseguem mobilizar muitas e muitas pessoas a favor das suas ideias e produtos. Afinal, o que está por trás delas?

Ao longo dos seus estudos, o que Simon acabou percebendo foi que todos têm ou tinham um propósito muito forte, o que fez com que seguissem em frente e não desistissem, ultrapassando obstáculos e momentos desafiadores. 

Dessa forma, ele concluiu que o público não se inspira necessariamente pelo o quê a empresa ou indivíduo faz, mas muito mais pelo porquê eles fazem aquilo. Ou seja, eles se conectam primeiro com o motivo maior que está por trás de toda e qualquer ação daquela marca.

Independentemente se são pequenos ou grandes negócios, multinacionais ou startups, para Simon quem começa pelo porquê consegue inspirar, de forma genuína, as pessoas que os seguem. Mais do que uma relação de necessidade, cria-se uma relação de afeição.

Confira abaixo como o Golden Circle funciona:

Antes de tudo, por quê?

Para que uma empresa possa crescer e prosperar de forma sustentável, é preciso acima de tudo definir o porquê da sua existência. O “porquê” é o propósito do negócio, o objetivo maior de suas iniciativas ou ainda a causa que move seus colaboradores. Quando uma empresa começa pelo porquê, o que acontece em seguida é a criação de produtos e serviços que possuem uma chance muito maior de gerar identificação – e sucesso.

Ao responder ao “porquê” de forma clara, torna-se muito mais fácil visualizar um caminho a seguir. Como dizem, para quem não sabe aonde ir, qualquer caminho serve – e muitas vezes trilha-se o errado. Essa máxima também vale para empresas. É esse tipo de erro que o Golden Circle vem nos ajudar a não cometer.

Ter um propósito bem definido é o ponto de partida do Golden Circle, a resposta que preenche o círculo menor, o foco norteador.

Então, como?

Na prática, o “como” é o plano de ação da sua empresa. É o momento de responder a perguntas que se parecem com essas: Como minha empresa busca atingir o seu objetivo?; Quais estratégias estão sendo utilizadas para realizar a nossa missão?; Como me enxergo realizando essa missão?.

São questões desse tipo que vão surgir no momento de preencher o segundo círculo do Golden Circle, de dentro para fora e do menor para o maior. 

É nessa etapa que devem ser incluídos os valores que a empresa possui e com os quais deseja que o público se conecte. Trata-se, sim, de um grande diferencial, porque traz uma identidade única para a marca, o que fará com que se destaque diante dos concorrentes. Além disso, ajuda a construir uma base sólida para o negócio.

Por fim, o quê?

O “o quê” é o círculo maior, a parte mais externa do Golden Circle. Ele representa o resultado de um projeto, os produtos e serviços finais ou ainda a parte mais concreta de uma empresa. Nesse ponto, é onde são definidos o que a empresa irá produzir e vender. É a fase de materialização do “porquê” e do “como”.

Quando as empresas se comunicam começando de dentro para fora, isto é, começam pelo “porquê”, os seus produtos e serviços – as respostas da pergunta “o quê” – podem passar a se vender naturalmente, porque o público já acredita na autenticidade do negócio. É claro que itens como qualidade e preço influenciam, mas o propósito por trás é a maior razão de compra.

O impacto do Golden Circle

O modelo do Golden Circle é um método de pensar, agir e comunicar com o intuito de criar impacto positivo no mundo. Mesmo que ainda exista resistência, hoje já se sabe que os líderes mais inspiradores colocam em prática esse conceito.

Em outras palavras, o Golden Circle reforça e comprova a importância da estratégia e do propósito por trás das ações de uma empresa. Segui-lo faz com que a empresa tenha foco na sua missão, o que conduz à definição de objetivos coerentes e, consequentemente, planos de ação também coerentes.

As consequências positivas da utilização dessa filosofia incluem uma melhor comunicação da liderança com seus colaboradores, fornecedores e clientes, isso porque sabem claramente o porquê fazem o que fazem, o que motiva e inspira as pessoas de forma natural, gerando maior identificação e elevando o valor da marca.

Além disso, as organizações que começam pelo porquê contratam pessoas com os mesmos valores, o que sem dúvida contribui para que haja maior crescimento e produtividade.

Quais riscos sua empresa corre ao não ter uma estratégia? 

Ao criar um planejamento estratégico sem uma estratégia bem definida, uma empresa corre sérios riscos. Além de ter um norte, ter estratégias bem definidas representa alinhamento com propósito e missão.

Confira os principais riscos que um negócio pode sofrer quando deixa de lado a importância da estratégia:

Não aprende a lidar com imprevistos

Na vida, é natural que problemas surjam com o passar do tempo. Com uma empresa, é a mesma coisa. O que vai fazer diferença é o modo como cada uma está preparada para lidar com as dificuldades.

Quando há uma estratégia clara, a empresa e os gestores saberão os tipos de riscos e imprevistos com os quais poderão se deparar ao longo do caminho, do mesmo modo; havendo um propósito firme, ou seja, uma estratégia consolidada, os gestores também saberão como agir diante destes imprevistos – terão um norteador: qual ação melhor se encaixa na minha estratégia?

Os colaboradores podem se sentir perdidos

Com toda certeza, as estratégias possibilitam ter uma visão ampla do negócio, além de alinharem as expectativas dos colaboradores com o propósito da empresa. Quando não há estratégias, também não são feitos planejamentos corretos, sem planos de ação, metas e objetivos claros a serem alcançados. 

O resultado disso é, sem dúvida, baixa produtividade, falta de motivação e de perspectiva para as equipes e funcionários, que podem se sentir perdidos dentro da empresa no decorrer das suas atividades diárias, gerando perda de capital humano e financeiro.

Tomadas de decisões não assertivas

Quem não possui uma estratégia definida, não saberá escolher o melhor caminho no momento de decidir. É um ciclo vicioso que pode trazer consequências sérias para a empresa, porque impactará no crescimento da empresa.

Se a sua estratégia é ser pioneiro, ou seja, é uma estratégia de crescimento e de investimentos. Todas as suas tomadas de ação irão nas direções que conduzem a empresa a isso; a ser inovadora e assumir riscos. Mas, se você não tem uma estratégia; ora opta por ser inovador e ora por ser conservador e, consequentemente, nunca é nem um e nem outro.

Sem diferencial competitivo

Você reconhece uma marca e uma empresa com diferencial, facilmente. Do mesmo modo, o que acontece a seguir, geralmente, é que você deseja se relacionar com ela. Talvez não possa, em função de preço ou falta de acesso por exemplo, mas deseja.

Quem não gostaria de ter um Mercedes na garagem? Um MAC na mesa de trabalho?… e indo além de produtos; quem não gostaria de viajar com a Emirates?

Saindo do mercado de consumo de luxo e indo para o simples; porque as pessoas postam fotos consumindo Heineken e Redbull e não postam consumindo outras marcas? Porque as pessoas gostam de mostrar, sentem orgulho em fazê-lo, quando são lembradas por empresas como Nubank e Netflix?

Essas empresas sabem o seu propósito, tem uma estratégia bem definida e sabem comunicar isso, e como consequência; as pessoas querem fazer parte.

Não tem problema se a sua estratégia for “ser o mais barato”; mas é importante definir isso, para que todas as suas ações se voltem de fato para e você não se perca no caminho. Deste momo quando as pessoas quiserem comprar o mais barato, se lembrarão de você.

Agora, se você ficar oscilando, sua marca não será gravada no “TOP of Mind” porque os consumidores não conseguirão te definir.

Porque 

Desunião das equipes

Quando a empresa transmite a mensagem da sua estratégia de forma clara, ela faz com que cresça o engajamento de todos para a realização do planejamento estratégico, fazendo com que as chances de sucesso naturalmente sejam ainda maiores. 

Isso porque todos trabalham a partir de uma mesma visão macro de sucesso, mas também micro, a partir de que cada um possui a responsabilidade de atingir suas metas. Por outro lado, sem propósito e planos de ação alinhados, a integração fica praticamente impossível de acontecer.

Conclusão

Para concluir o nosso material, vamos reforçar pontos importantes sobre estratégia e planejamento estratégico. 

Estratégia pode ser resumida como a definição do objetivo maior da empresa. Já o planejamento estratégico pode ser explicado como o conjunto de ações a serem tomadas para que os resultados sejam atingidos.

Logo, antes de colocar em prática o planejamento da sua empresa com uma metodologia ágil como OKRs, é preciso ter clareza sobre as estratégias, já que são elas a bússola da organização. Também, desse modo, as vantagens de se utilizar uma metodologia ágil serão aproveitadas de verdade.

Além disso, abordamos a filosofia Golden Circle, que traz o conceito de que as empresas devem ser orientadas a partir de três perguntas, começando pelo “porquê”, passando pelo “como” e finalmente chegando ao “o quê” e geralmente o movimento que ocorre é o oposto. O ponto de partida deve ser o propósito genuíno, pois ele é a melhor estratégia que poderá existir. Para finalizar, vale destacar que o sucesso dessas estratégias, bem como do planejamento estratégico, passa pelo trabalho em equipe  e pela união de todos os setores da empresa.

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