O Rei Leão: o que você pode aprender sobre gestão estratégica com as Live-Actions da Disney

Em 16 de outubro de 1923 surgia oficialmente a Disney Brothers Cartoon Studios. Com seus dois sócios e seu irmão Roy, Walter Elias Disney iniciava a trajetória de uma organização que serviria de inspiração para o mundo todo. Antes de chegar ao sucesso, Walt Disney foi abandonado por seus funcionários, faliu uma empresa e se viu sozinho na companhia apenas de ratos que, em busca de comida, roíam seus lápis de desenho.

A grande virada, que deixou a fase difícil definitivamente para trás, aconteceu em 1927. Depois de perder os direitos de um de seus personagens juntamente com toda a sua equipe, Walt Disney retornou à mesa de desenho e criou o personagem de maior sucesso dos estúdios Disney: Mickey Mouse. Mickey virou desenho animado em 1928. Um grande sucesso. As animações seguintes foram “Os três porquinhos” em 1933 e “Branca de Neve e os 7 anões”, em 1937, o primeiro longa-metragem animado da história, que gerou um lucro de U$ 2,7 milhões e marcou o início do que viria a ser o grande negócio da empresa.


Mickey, desenho animado (1928)

A história dos parques temáticos começou em julho 1955 com a inauguração da Disneyland, em Los Angeles, na Califórnia. Ao final daquele ano, mais de um milhão de pessoas havia visitado o parque e saído de lá como Walt queria: com um sorriso escancarado no rosto. Com os parques, Walt Disney queria que seus personagens ganhassem vida e proporcionassem magia para as pessoas que traduzem a Disney com as seguintes palavras: fantasia; sonho; criatividade; sorriso e magia. Bem-vindo ao mundo mágico de Disney.

É impossível, num texto, relacionar todos os negócios do complexo Disney. Além dos parques temáticos e dos estúdios, em 2006 comprou a Pixar, referência em animação digital, criadora de Toy Story, Procurando Nemo e Carros. Em 2009, adquiriu a editora Marvel e o direito sobre todos os seus heróis levando-os dos quadrinhos aos cinemas. E em 2012, comprou a Lucas Film e o universo bilionário de Stars Wars.


O Rei Leão

No último dia 18, nos cinemas de todo o Brasil, tivemos a estreia de O Rei Leão, mais um clássico relançado no formato live-action tal como foi com Alladin, A Bela e a Fera, Dumbo, Cinderela e etc. Não se trata de uma novidade. A Disney tentou a mesma fórmula em 1990, sem sucesso, e depois novamente; em 1996 com os 101 Dálmatas  – que chegou a dar bons resultados. Mas, ao tentar a continuação com o filme 2 percebeu que não era o melhor momento e não possuía os recursos tecnológicos e financeiros necessários para dar a qualidade desejada ao projeto. A espera durou até 2010 com o relançamento de Alice no país das maravilhas seguido de outros sucessos do gênero.

A partir da estratégia da Disney, com os novos filmes live-action, vamos mostrar 5 lições valiosas que você deve aprender sobre gestão estratégica.


1 – Há um tempo certo para cada estratégia

O termo live-action implica em ações realizadas por pessoas reais, que, na década de 1990 foi pensado pela Disney como um complemento aos projetos. Usar atores para recontar suas animações mais clássicas não obteve o resultado esperado naquele momento. Porém, o projeto não foi abandonado.


2 – Desistir só é válido quando há provas de que a estratégia é falha

Apesar dos resultados fracos de bilheteria, os filmes em live-action Disney tinham uma boa aceitação na televisão. Então, o estúdio tinha provas de que a estratégia poderia ser retomada em um futuro. Talvez faltasse “acertar a mão” para que os resultados acontecessem. O que se comprovou com “Alice nos país das maravilhas”, que faturou U$ 1 bilhão nas bilheterias do mundo inteiro. O sucesso de bilheterias e de crítica por “Malévola” abriu caminho para novas produções. O projeto foi retomado porque os Estúdios Disney tinham provas de poderia dar certo.


3 – Se não há capital, busque formas de obtê-lo, guarde o projeto e invista em outras estratégias menos custosas e arriscadas no momento

No caso da Disney, seus gestores constataram que faltavam recursos tecnológicos para reproduzir seus clássicos no modelo live-action para o cinema. Nem mesmo o brilho de uma Glenn Close conseguiu salvar o segundo filme de Os 101 Dálmatas. Com a compra da Pixar, em 2006, os Estúdios Disney passaram a ter, ao seu dispor, a expertise da melhor empresa em animação digital. Eliminada essa limitação, o projeto até então guardado poderia ser retomado.

Pixar Studios

4 – Devemos estudar constantemente nosso público e evoluir com ele

A Disney percebeu e aprendeu com seu público que as histórias clássicas não tinham mais eco nas gerações ligadas em tecnologia e movimento. O consumo dos mais variados produtos pode ser feito com um simples arrastar de um ícone na tela de um smartphone ou tablet. As meninas das novas gerações também não aceitam mais a condição de depender de um “príncipe” para protege-las.

Personagens como Moana e Valente foram criadas para dar eco a esse novo comportamento. Nas live-actions Disney, Emma Watson, que faz a personagem principal de A Bela e a Fera, e identificada com o movimento feminista, também representa uma aproximação com seu público. Assim também acontece em O Rei Leão, quando atores negros foram convidados para dar voz a vários personagens do filme.

Estudar constantemente o seu público explica o sucesso de Malévola. Essa live-action, cujo foco foi para a antagonista de A Bela Adormecida, provou que, mesmo sem mexer na estrutura original, uma mesma história pode ter vários pontos de vista e surpreender positivamente o público consumidor.


5 – Saber lidar com críticas e contorna-las

A Disney sempre sofreu duras críticas sobre seu posicionamento rendendo inclusive acusações de sexismo. Tentando mostrar que não eram recorrentes, sempre propôs uma resposta em cada obra produzida. Entendendo e acompanhando a evolução do seu público, como foi mencionado no item anterior, procurou demonstrar que sempre esteve atenta às críticas lidando e procurando contornar cada uma delas.


E aí, o que achou do artigo? Já conhecia a estratégia por trás dos Live-Actions da Disney? Deixe seu comentário!