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Inovação empresarial: como superar o medo de inovar

Steve Jobs, cofundador da Apple, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, disse uma vez: “Não faz sentido contratar pessoas inteligentes e dizer a elas o que fazer. Nós contratamos pessoas inteligentes para que elas nos digam o que fazer”.

Provavelmente, muitos empresários ou pessoas responsáveis pela gestão de negócio de uma empresa sentem um certo incômodo ao ouvir sentenças como essa. Afinal, eles certamente sabem o que é melhor para o negócio, pois os conhecem melhor do que ninguém, e fazem o que fazem há algum tempo. E sempre deu certo. Se algo está funcionando, não há porque mudar, certo?

Essa história é muito familiar e se repete todos os dias, em milhares de empresas ao redor do mundo: novas ideias são trazidas à mesa, e rapidamente descartadas. O motivo? Medo de inovar.

O problema é que, hoje em dia, inovar não é mais um diferencial. De fato, se tornou obrigação. Empresas que não inovam ficam rapidamente para trás em relação a seus concorrentes, e também correm o risco de perder grandes talentos que hoje compõem seus times, mas se sentem frustrados e são impedidos de inovar e aplicar novas ideias e novos formatos ao negócio. Mas como superar o medo de inovar? A resposta não é simples, mas extremamente poderosa.

Inovação empresarial e por que é importante mudar

Então, para começar a entender os anseios em torno da inovação empresarial, vamos voltar ao exemplo da Apple, uma empresa inovadora que capitalizou com sucesso a criatividade de sua força de trabalho, se tornando hoje uma das marcas mais originais e amadas do mercado. Basicamente, o que diferencia a Apple da concorrência é que a empresa não tem medo do fracasso. Porque possui um propósito. O objetivo de longo prazo da Apple é preencher lacunas existentes no mercado, ou atender às necessidades de seus clientes. Necessidades que, muitas vezes, eles não sabem que têm. Como diferencial, a Apple causa disrupções constantes no mercado, inspiradores o suficiente para atrair novos clientes, fidelizar os antigos e se diferenciar dos concorrentes cada vez mais. Em termos de tecnologia, não há nada como a Apple.

É claro, o caminho percorrido não foi simples, tampouco curto. Empresas precisam se esforçar para acompanhar a rápida evolução dos dias de hoje, e estar sempre à frente da concorrência. Imagine que, neste momento, todos os seus concorrentes estão passando por uma transformação digital em suas operações a fim de obter uma vantagem competitiva. E a sua empresa segue fazendo o que sempre fez. Sem inovar. Isso faz sentido para você?

Quando o medo de inovar se torna parte da cultura da empresa

Segundo a pesquisa Fear Factor: Overcoming Human Barriers to Innovation, veiculada pela consultoria McKinsey, cerca de 85% dos executivos concordam que o medo de inovar é um fator determinante para impedir esforços de inovação em suas organizações. Vale dizer que nem sempre a inovação empresarial é impossibilitada por parte do CEO da empresa. O medo de inovar é algo contagioso, e se os responsáveis pela gestão estratégica passam uma sensação de insegurança, é bastante provável que outras equipes sejam afetadas por isso, e o medo da inovação — seja ela tecnológica ou apenas de pensamento — acabe se tornando parte da cultura da empresa.

Muitas vezes, essas empresas estão vinculadas aos seus modelos de negócios estratégicos. Isso significa que toda a estrutura, recursos e cultura da empresa estão condicionados a este modelo de negócios. Ou seja, fazer o que sempre foi feito. Isso gera dificuldades em implementar novos fluxos e novas ideias, justamente porque a estrutura também precisará ser alterada. Isso gera desconforto, inércia e medo do desconhecido.

O resultado disso é que a inovação sempre fica para depois. Os funcionários têm medo do fracasso ou de simplesmente desafiar o status quo para apoiar uma nova ideia. Afinal, isso exigiria uma mudança significativa nas estruturas da empresa. E então tudo fica mais complicado.

Mas como superar o medo de inovar e apoiar a necessidade de novos formatos, novas ideias e novos modos de fazer algo que, na teoria, já funciona? Muitas vezes, funcionários com muitas ideias são sufocados pela hierarquia ou mesmo por questões burocráticas. Não há espaço para troca de ideias e sugestões diferentes. Ou, mesmo que a empresa diga que existe este espaço, qualquer nova ideia que exija o mínimo de mudança é automaticamente descartada.

A verdade é que, para inovar e aproveitar a criatividade dos colaboradores com eficácia, as organizações precisam colocar as necessidades do cliente em primeiro lugar. A transformação é uma necessidade, e precisa ser vista como muito mais do que simplesmente adotar a tecnologia mais recente. Inovação também passa por uma mudança em antigas estruturas e dogmas, transformando o ambiente de trabalho em um espaço seguro e que permita que pessoas possam compartilhar, testar e executar novas ideias.

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Inovação é diferente de falta de planejamento

Mas, veja bem, nada disso significa que a empresa deve aceitar qualquer sugestão e não pensar nas consequências de mudanças significativas. A inovação empresarial pode ser realizada com planejamento estratégico e parcimônia. Porém, é preciso entender que a incerteza da inovação estará lá, e sempre haverá riscos.

Além disso, a inovação nem sempre vem como mudança gradual. Tome como exemplo o caso da pandemia de Covid-19 no Brasil e no mundo. Empresas não foram avisadas com antecedência que deveriam migrar para o digital em um curto período de tempo. A reinvenção teve que acontecer o mais rápido possível. E aqueles que ficaram travados pelo medo de inovar, ficaram para trás.

Em geral, empresas mais antigas possuem mais resistência à inovação, por fazerem o que fazem há muito tempo, e estarem satisfeitas com a forma como as coisas têm funcionado. É provável que os funcionários dessas empresas também se sintam assim, o que dá aos responsáveis pela gestão estratégica mais uma razão para seguir com o que já está estabelecido. Em outras palavras, nada de mudanças.

Talvez esse fosse o cenário perfeito se a sociedade não mudasse tão rapidamente, assim como o comportamento de compra de seus clientes. O que conhecemos hoje pode não ser mais regra na semana que vem, dado que tudo se transforma na velocidade da luz. A internet e a globalização colocaram milhares de ofertas e opções à disposição de seus clientes. Se você não inovar e entregar o que eles pedem no momento, provavelmente a empresa não sobreviverá.

Existem milhares de exemplos deste tipo de mudança de comportamento: hotéis que perderam espaço para empresas como a AirBnb e hostels; táxis que perderam seus clientes para aplicativos de transporte; planos telefônicos que não são vantajosos com a opção do WhatsApp na palma da mão; TVs por assinatura que se tornaram sem graça e com poucas opções comparado aos streamings de conteúdo; e por aí vai. Todos os dias o mundo muda, mas nem todas as empresas são capazes de acompanhar.

A importância do gestor para a inovação empresarial

Neste momento, é preciso destacar quão importantes são os responsáveis pela gestão de negócios da empresa. Os gestores são peças fundamentais no crescimento e desenvolvimento do negócio, e justamente por isso precisam estar envolvidos no processo de inovação empresarial.

Cabe a esses profissionais conhecer a fundo os projetos em andamento e os recursos disponíveis, tanto no quesito humano quanto no quesito financeiro, além de entender a melhor forma de direcionar esses recursos. Além disso, o gestor de negócio é a pessoa que trará solidez às ideias, identificando as mudanças possíveis e aquelas que ainda precisam esperar, além de adequar a teoria dos projetos à prática do dia a dia do negócio.

Tudo isso garante uma maior chance de sucesso, mesmo nos projetos de inovação mais ousados. Outra questão importante é em relação ao exemplo que os gestores dão aos funcionários ao se envolverem e acreditarem nas mudanças propostas. Como já falamos aqui: inovação é cultura. Se ninguém acreditar que algo é possível, provavelmente não será.

Vale dizer que, quando falamos em inovação empresarial, não estamos falando apenas em produtos ou serviços. A inovação pode ser tecnológica, organizacional ou estrutural, modificando os processos e fluxo do negócio, por exemplo. Pode também ser uma inovação voltada ao fator humano da empresa, com uma nova visão a respeito da retenção de talentos ou sobre a importância de treinamentos regulares. Em todos estes casos, o gestor será essencial, pois é ele quem dará o direcionamento necessário ao restante da equipe.

O Brasil já empreende. Agora precisa inovar

Já entendemos que a inovação pode ser algo extremamente benéfico para o seu negócio, mas ainda assim é fonte de inseguranças. Afinal, existem muitas variáveis a serem consideradas, exigindo apostas ousadas e muitas vezes incertas, além de disposição para perseverar diante de erros, contratempos e críticas.

Se pensarmos na questão do empreendedorismo no Brasil, podemos ter algumas respostas. Em 2019, uma pesquisa da GEM em parceria com o Sebrae apontou que o país atingiu 23,3% de empreendedorismo inicial, sendo este o segundo melhor patamar total desde 2002. Já em relação ao potencial de empreendedorismo, o percentual foi de 30,2%. Na prática, isso quer dizer que, a cada 10 brasileiros na fase adulta que ainda não abriram uma empresa, três devem abrir o próprio negócio em um curto prazo de tempo. Ou seja, o ímpeto de empreender existe.

Porém, quando o assunto é inovação, a pesquisa também mostrou que apenas 7,5% das empresas no Brasil possuem um serviço novo para oferecer a seus consumidores. O que significa que o Brasil é um país com um grande número de empreendedores, e um baixo número de inovadores.

Isso pode ser explicado pela cultura de muitas empresas, que demitem funcionários cujos projetos inovadores não dão certo. Por consequência, o restante dos funcionários perde a coragem de trazer novas ideias, e a faísca da inovação se apaga. Ao mesmo tempo, a empresa deixa de ser adaptável, responsiva e inovadora. Em breve, também perderá seus melhores talentos, que levarão suas ideias para a concorrência. Essa é uma contradição clássica. Estamos incentivando as pessoas a serem inovadoras e punindo-as quando as coisas dão errado. Claramente este não é o caminho a ser seguido, certo? Então, o que fazer? Criar um ambiente seguro e propenso à inovação. E como fazer isso? É o que veremos a seguir.

7 lições para vencer o medo de inovar

Neste ponto do texto, você já entendeu que sua empresa precisa inovar para acompanhar as mudanças no comportamento do consumidor e também estar lado a lado, ou à frente, de seus concorrentes. Entre a tecnologia, as diferenças de gerações e as crescentes demandas da sociedade atual, sabe-se que sua empresa deve abraçar a inovação. Mas como fazer isso com o mínimo de riscos e incertezas?A seguir, compartilhamos 7 dicas valiosas que poderão ajudar neste processo.

  1. Inove em uma zona segura

Como já explicamos, inovação não significa dar um tiro no escuro sem o mínimo de planejamento. É preciso estar disposto a correr riscos, mas riscos que façam sentido ao negócio. Coisas que você está disposto a mudar entram na sua “zona segura”. É por aí que você deve começar. Com o tempo, essas pequenas mudanças se tornarão seu trampolim para desafios maiores.

Além disso, pense naquilo que você não está disposto a mudar, e pergunte-se: por quê? Quais são as preocupações reais a respeito destas mudanças? Muitas vezes, você verá que não sabe a resposta. Nesse caso, talvez a mudança seja justamente do que você precisa.

  1. Estipule um prazo

Inovação não é apenas ter uma ideia inovadora. Inovação é cultura, e qualquer mudança bem-sucedida deve ser feita de acordo com um cronograma e parâmetros pré-determinados, que ajudarão você a entender se as medidas estão dando certo. Anote suas ideias, crie um plano de ação e atribua às transformações a sua medida de sucesso. Depois, coloque em prática e, depois de um tempo, avalie os resultados. Se precisar, inicie novamente o processo. A inovação empresarial é uma jornada.

  1. Crie um espaço seguro para troca de ideias

É muito importante que os colaboradores possuam um espaço seguro para inovação e troca de ideias. Isso pode ser feito a partir de reuniões de brainstorm com as equipes, de forma semanal ou mensal — o que funcionar melhor. Além disso, as ideias devem ser acolhidas e analisadas antes de serem descartadas. O intuito não é sair com um projeto pronto, mas com boas propostas.

4.    Celebre as pequenas coisas

Inovar nem sempre significa que a empresa passará por grandes mudanças. Muitas vezes, a inovação passa pelas pequenas coisas, e tirar um tempo para celebrá-las é importante. Qualquer ideia que tenha sido implementada com sucesso, por mais simples que seja, merece reconhecimento, especialmente por parte dos responsáveis pela gestão de negócio. Essas pequenas conquistas ajudam os funcionários a se sentirem mais confiantes e, no futuro, assumirem projetos maiores.

  1. Revolucione sem esquecer o essencial

Isso é algo muito importante. Mesmo que a sua empresa deseje inovar com um produto inédito, é preciso estar atento às necessidades atuais de seus clientes. Isso significa investir em pesquisas de mercado e ampliar o portfólio, entregando aquilo que seu consumidor precisa no momento — mesmo que isso não represente grandes mudanças. A questão sobre inovar é encontrar o equilíbrio entre ir em busca do novo e manter a qualidade daquilo que já funciona.

  1. Devagar e sempre

A inovação empresarial é um processo. É claro que muitas mudanças ocorrerão de forma inesperada, sem um aviso prévio. Mas a inovação também pode ser feita gradualmente, com planejamento e paciência. Comece devagar, investindo menos no início e minimizando suas perdas, para no futuro poder alocar mais recursos em novos projetos e inovar com segurança.

  1. Escute o seu cliente: ele tem razão

Enfim, a dica de ouro é sempre ouvir o seu cliente. Se para ele a empresa precisa mudar, isso provavelmente é verdade. Faça pesquisas constantes de opinião e ouça o que o seu cliente está dizendo sobre o seu produto ou serviço. O consumidor é a melhor pessoa para apontar caminhos possíveis de inovação. Ao escutar quem mais importa para o seu negócio, você pode mudar com mais garantia de acertar, afinal, está inovando para entregar aquilo que o seu cliente precisa.

Conclusão

Chegamos ao fim deste conteúdo, e neste momento podemos recapitular um pouco de tudo o que vimos, citando algumas reflexões importantes:

  • O medo de inovar é algo comum em empresas;
  • Este medo pode ser contagioso e se incorporar na cultura da organização;
  • O Brasil possui muitos empreendedores, poucos dispostos a inovar;
  • Inovação não significa falta de planejamento;
  • Sempre haverá riscos na inovação;
  • Se você não se adaptar, seu concorrente irá;
  • Entre os principais fatores que impedem a inovação empresarial, estão o medo de um impacto negativo na carreira, o medo de incertezas e o medo das críticas;
  • A gestão de negócio e o planejamento estratégico precisam estar incluídos nos processos de inovação;
  • E o mais importante: existem sim formas de vencer o medo de inovar e trabalhar para o sucesso do negócio.

Por fim, é preciso dizer que medo, ansiedade e frustração não são sentimentos associados à inovação. O sentimento correto é pertencimento.

Colaboradores alegres, inspirados e com coragem para trazer ideias à mesa e tomar decisões disruptivas são muito mais motivados e sentem que fazem parte do processo de transformação da empresa. Uma parte importante e que é considerada nas decisões.

Ao construir um sentimento de pertencimento e segurança no processo de inovação empresarial, a empresa garante aos colaboradores um espaço seguro para erros, demonstrando que tudo faz parte de um processo, e que a construção se dará lado a lado. Os maiores líderes aprendem com os erros e recompensam as vitórias. O fracasso deixa de ser uma questão, e tudo se torna aprendizado. Inovar é mais do que estar à frente do seu concorrente ou entregar um serviço que o seu cliente está procurando — inovar é construir uma cultura que incentive a coragem e o compromisso, e esteja aberta a novas ideias. Ideias que nem sempre serão implementadas. Mas certamente serão consideradas.

Esperamos que você tenha gostado deste conteúdo tanto quanto gostamos de produzi-lo. Se você quiser estar sempre informado e receber novidades sobre inovação empresarial, gestão de negócios e muito mais, assine nossa newsletter e receba os melhores conteúdos da Scoreplan diretamente no seu email!

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