Governança corporativa: saiba como implementar e garanta excelentes resultados

A governança corporativa bem conduzida faz toda a diferença para o sucesso dos negócios. Um bom exemplo disso são as empresas com ações negociadas na bolsa de valores. Nelas, quanto maior o seu nível de governança, mais elas tendem a ser confiáveis em termos de atração de investimento e, assim, mais valorizados seus papéis serão.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), em seu relatório “Informes de Governança 2019”, hoje, mais da metade das empresas no Brasil adotam boas práticas de governança. Um percentual que mostra que esse conjunto de princípios, posicionamentos e processos veio para ficar.

Na sua empresa existe preocupação com a governabilidade e a transparência ou esse tema é desconhecido? Seja como for, este artigo vai dar uma nova visão sobre o assunto. Continue lendo e fique por dentro.

O que vem a ser a governança corporativa?

Você lembra do escândalo corporativo na maior empresa petrolífera brasileira, deflagrado em 2015 pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal? Basicamente, ficou constatado que diretores de alto escalão da empresa a usavam para lavar dinheiro originado por desvios de verbas públicas. Quando veio à tona, a investigação provocou um verdadeiro “tsunami” nos quadros da multinacional e o escândalo resultante foi eleito o 2º mais grave do mundo.

Esse caso serve como exemplo das consequências que podem advir da falta da governança corporativa. Trata-se de um conjunto de práticas coordenadas, um sistema, pelo qual empresas são dirigidas, controladas e suas comunicações são orientadas.

Nada disso estava presente nas rotinas da maior empresa de petróleo do Brasil há 4 anos, por isso, foi preciso pagar um preço muito alto em termos de imagem e credibilidade. O resultado foi uma perda de valor de mercado estimada em 85%, oito anos após atingir seu recorde histórico na bolsa de valores.

Quais são os passos para desenvolvê-la?

Felizmente, nenhuma empresa precisa passar por uma investigação ou ser desmascarada em atividades ilícitas para implementar e desenvolver sua governança corporativa. De qualquer forma, sua inserção na própria cultura organizacional é um processo que leva tempo. Por isso, quanto mais engajadas estiverem as lideranças, mais efeitos positivos serão gerados em médio e longo prazo.

Sendo assim, vamos tomar como referência os nove passos da IBGC para a consolidação da governança em uma empresa que pretenda ser scale-up. Confira!

1) Estabelecer formalmente um conselho de administração atuante, considerando a adoção de conselheiros independentes;

2) Avaliar a contratação de auditoria independente;

3) Aprimorar a função de relacionamento com investidores;

4) Promover uma postura ética em toda a organização;

5) Criar um código de conduta e políticas de transações com partes relacionadas, de contribuições e doações, de comunicação, de prevenção e detecção de atos de natureza ilícita;

6) Sistematizar processos essenciais de negócio e criar um processo formal de revisão e aprovação da estratégia de médio e longo prazos;

7) Estruturar o processo de gerenciamento de riscos e incorporá-lo ao planejamento estratégico;

8) Criar processos de revisão e aprimoramento da propriedade intelectual;

9) Criar um plano de sucessão para os principais postos da empresa.

Quais os benefícios percebidos?

Se considerarmos que até mesmo empresas do terceiro setor, órgãos públicos e cooperativas ganham com a governança, fica claro que sua adoção é vantajosa. Isso porque a empresa que zela pela boa governança corporativa passa a atrair bons olhares do mercado.

Como ela se preocupa em ser transparente nas suas atividades, acaba formando ao seu redor uma atmosfera de confiança que favorece o crescimento. Em outras palavras: a governança bem executada é o fator decisivo para promover o popular “ganha, ganha”. Veja, então, que outros benefícios são percebidos.

Atração de investimento

Para grandes organizações com capital aberto, governança corporativa é, hoje, praticamente uma exigência. Contudo, até PMEs, microempresas ou mesmo clubes de futebol ganham mais capacidade de atrair parcerias de peso quando investem em governança.

Um bom exemplo disso é o Flamengo, o clube de maior torcida do Brasil que, desde 2013, adotou uma política de austeridade fiscal e administrativa em sua governança. Uma prova disso são os balancetes contábeis divulgados no seu site para comprovar a origem de suas movimentações financeiras. Como resultado, o clube deixou de ser o mais endividado do Brasil para se tornar uma potência esportiva e financeira.

Relações transparentes

O caso do Flamengo também comprova o valor que relações de mercado pautadas na transparência têm. Outro bom exemplo disso vem da ArcelorMittal, a maior produtora de aço do Brasil, que publica em seu site as alíquotas de imposto de seus produtos.

Sendo assim, quanto mais transparente a empresa for em seus relacionamentos comerciais, menos dúvida vai gerar a respeito dos resultados em suas operações. Assim, forma-se um ciclo virtuoso em que a empresa, seus parceiros e clientes só tendem a ganhar.

Maior confiança dos sócios e clientes

Perceba, ainda, que seguir as regras e praticar a boa governança não se limita ao cumprimento de leis. Mais do que isso, a lisura e a ética nos negócios servem como impulsionadores de competitividade. Dessa forma, a empresa que cultiva boas práticas estará sempre em condições de atrair o respeito e a confiança de seus clientes e sócios.

O princípio mais básico da governança corporativa é fazer o certo para fazer bem. Como consequência de fazer bem feito, a empresa que o adota se mantém sempre nos mais elevados patamares de gestão, aumentado a sua escalabilidade e o potencial para fazer bons negócios.

Como implementar com segurança?

Por outro lado, a adoção de uma política de transparência no relacionamento e nas contas deve ser precedida de uma série de avaliações. Afinal, dados contábeis e financeiros com algum grau de sigilo podem estar em jogo e, nesse caso, não se deve confundir ingenuidade com lisura nas atividades empresariais.

O ideal é que o processo de implementação seja orientado por auditoria externa ou por especialistas internamente. Eles poderão guiar diferentes setores da empresa na direção das melhores práticas de governança corporativa, garantindo que sua implementação seja segura. Dessa forma, os bons resultados não tardarão a aparecer.

O artigo foi interessante? Que tal avançar nesse tema, aprendendo mais sobre o compliance empresarial?