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O papel do CEO frente aos paradoxos entre liderança e inovação

Neste momento, mais do que nunca, as empresas estão dando muito mais atenção à questão da inovação. Seja para tornar seus produtos mais atraentes, seus serviços mais competitivos ou seu ambiente de trabalho melhor, a inovação é um elemento essencial para sobreviver e prosperar em um ambiente digital e globalizado. Além disso, ela é considerada por muitos a chave para a vantagem competitiva das organizações.

Basicamente, a inovação é a primeira tentativa de pôr em prática uma ideia criativa. Mas, é claro, não é tão simples assim. Como a maioria dessas ideias nunca foram testadas antes, elas podem apresentar problemas. Sendo assim, é bastante comum que as empresas falhem em seu processo de inovação.

Um exemplo muito conhecido é o da Nokia, que dominou o mercado de celulares entre os anos de 1990 a 2000, mas não conseguiu se atualizar o suficiente para facilitar o desenvolvimento de aplicativos em seu sistema operacional. Com isso, acabou ficando para trás frente à concorrência. Em entrevista do ex-CEO da empresa para o INSEAD, Olli-Pekka Kallasvuo descreveu como às vezes é difícil, em uma grande organização de sucesso, ter o senso de urgência e fome, ambos necessários para inovar e seguir no caminho do sucesso.

Fora este, existem muitos outros exemplos. Todos os dias empresas se tornam obsoletas porque não acompanham as tendências de seu tempo. Ou seja, não conseguem inovar. E uma boa parte desse processo fica sob a responsabilidade de uma pessoa em específico: a do(a) CEO. Afinal, esta é a pessoa que mais conhece o negócio, mas muitas vezes por isso pode acabar se apegando ao que já funciona, e ter medo de arriscar novos formatos. Então, frente a todos os paradoxos da inovação, qual é exatamente o papel do CEO?

Liderança e inovação: a importância do CEO

Primeiramente, é preciso dizer que, quando falamos de inovação, não falamos sobre certezas. Na verdade, a inovação é basicamente sobre não ter certeza de algo, mas sim testar uma hipótese. Como na ciência, muitas vezes trata-se de um tiro no escuro, um “salto de fé”. Contudo, isso não quer dizer que o processo seja caótico e sem organização. Pelo contrário, existem hoje diversas formas de inovar com segurança e assertividade. A informação e o uso de dados é uma dessas formas. A outra é conhecer bem seu público-alvo, e ter uma boa noção da estratégia e posicionamento da empresa. E o CEO é responsável por muitos desses fatores.

Outro ponto a se considerar é que a iniciativa pode não ter sucesso de primeira, mas prosperar no futuro, com ajustes e adequações. A inovação também não precisa ser uma mudança drástica — muitas vezes trata-se apenas de uma nova perspectiva, ou de pequenas alterações em um processo que, mais para frente, trará grandes resultados para o negócio.

Assim,o CEO tem como principal responsabilidade guiar as equipes e propor o planejamento estratégico durante o processo de inovação. Existe uma relação positiva entre liderança e inovação, sendo metade das mudanças no desempenho de qualquer negócio atribuídas direta ou diretamente ao CEO e outros gestores. Foi assim que Steve Jobs, o CEO da Apple, levou a empresa a se tornar a gigante de mercado que é hoje. Esse é um exemplo muito conhecido, mas serve para ilustrar perfeitamente a importância da figura do CEO. Foi Steve Jobs que tornou a Apple o que ela é hoje. Foi sua pessoa, presença e pensamento. E não apenas o seu cargo.

O papel do CEO dentro da gestão de inovação

Dessa forma, a gestão estratégica é essencial no que diz respeito a qualquer processo de transformação dentro de uma empresa. Liderança e inovação devem andar juntas, uma vez que é o líder aquele responsável por levar sua equipe com segurança até um novo patamar, seja no desenvolvimento de produtos e serviços, seja na execução de processos internos, ou mesmo no que diz respeito à cultura da empresa. A inovação pode ocorrer em diversas frentes, e o CEO deve estar preparado para enfrentar todas elas.

Além disso, para que a inovação faça sentido, as pessoas que trabalham na empresa também precisam se enxergar como intraempreendedoras. Ou seja, colaboradoras e colaboradores que buscam, criam e implementam ideias, mas também possuem capacidade diferenciada de analisar cenários e de encontrar oportunidades. É o CEO o responsável por construir esta cultura dentro da organização, tendo como apoio as lideranças de cada setor.

Além disso, é o CEO o responsável por incorporar as estratégias e metas de inovação da organização.

Para isso, existem algumas questões importantes a serem consideradas:

Recursos

Inovar também exige investimento. Seja para grandes esforços de inovação, ou para pequenos projetos destinados a explorar uma ideia, é necessário que a empresa tenha uma determinada quantidade de recursos disponíveis. E são os líderes que gerenciam esses recursos, que vêm na forma de tempo, dinheiro, instalações, informações e conhecimento.

Recompensas

Sistemas de recompensa são uma forma de uma organização encorajar comportamentos específicos, e podem ser um grande aliado do CEO. As recompensas são importantes para incentivar a criatividade do time, uma vez que os colaboradores sentem que tais iniciativas são importantes para a empresa. Contudo, nem sempre elas precisam ser monetárias. Muitas vezes um reconhecimento e feedback positivo se mostram mais importantes do que dinheiro.

Objetivos e visão

O grau de visão determina até que ponto os objetivos da empresa são claros e alcançáveis. Também mostra o quanto essas iniciativas são valorizadas dentro da equipe. Assim, o CEO deve dedicar tempo para declarar as metas e visão da empresa, facilitando o entendimento de todos os profissionais e construindo uma cultura de pertencimento e colaboração.

Autonomia

Enfim, a autonomia é a liberdade de realizar tarefas de acordo com o próprio arbítrio, e é papel do gestor de inovação incentivar as equipes a isso. Isso invoca um senso de confiança, propriedade e controle, fatores essenciais no processo de inovação, seja ele em menor ou maior escala.

Contudo, mesmo com toda ajuda possível, inovar é um processo complicado, e muitas vezes repleto de desafios. É o que conhecemos como “Paradoxos da inovação”.

O que são os paradoxos da inovação

Como vimos até aqui, a transformação exige muito comprometimento e planejamento estratégico, além da união entre liderança e inovação. Porém, mesmo com isso em mente, qualquer empresa deve saber que, ao inovar em seus processos e serviços, estará lidando diariamente com diferentes paradoxos.

Vale dizer que grandes empresas ou médias empresas podem ser tão inovadoras quanto as startups. Mas, para isso, eles precisam estar cientes da situação paradoxal em que se encontram. Essa consciência é muito importante, especialmente para empresas já estabelecidas que desejam trazer inovação para o seu dia a dia.

Assim, ao contrário das startups que podem se concentrar na missão única de ter sucesso com uma ideia principal, as grandes empresas precisam lidar com uma infinidade de preocupações e paradoxos concorrentes. Desafios que testarão seu time e sua organização, mas que, com a liderança do CEO, podem ser superados no fim do dia. Em artigo publicado pela Forbes, é possível conferir o que são esses paradoxos. A seguir, trouxemos um resumo de cada um deles.

1. Buscar inovação, manter a excelência

Inovação também se trata de excelência. Afinal, é preciso manter o negócio funcionando enquanto o time explora novas possibilidades, novas formas de fazer o que hoje já funciona. Nesse sentido, a figura do CEO é essencial, pois é ele que guiará as equipes nesta trajetória, buscando o equilíbrio entre seguir fazendo o que já existe e buscar inovação em cada pequeno processo.

2. Criar novos negócios e gerenciar o core business

Você deve saber: gerenciar novos produtos e gerenciar o core business são coisas completamente diferentes. Porém, que acontecem ao mesmo tempo. É nesse cenário que o CEO deve estar presente e aplicar tudo o que sabe para administrar a empresa que já está estabelecida e a empresa que está em busca de transformação.

3. Estratégia deliberada x estratégia emergente

A maioria das empresas desenvolvem sua estratégia de forma deliberada, e de cima para baixo. Ou seja, a gestão de inovação é quem define o que será feito, e os times apenas executam. Porém, para inovar com sucesso, as empresas precisam usar uma combinação de estratégia deliberada, baseada na visão, e estratégia emergente, ou seja, baseada no aprendizado do mercado.

Assim, é preciso dar espaço para o time participar das decisões e trazer novas ideias para a mesa, uma vez que são essas pessoas que estão em contato direto com o produto e os clientes. Como resultado, o CEO poderá ter uma ideia muito mais ampla dos produtos e serviços desenvolvidos, estando hábil a refinar a estratégia de crescimento e inovação da empresa.

4. Decisões descentralizadas e maior transparência

Uma das formas de evitar sufocar a inovação é permitir que os funcionários tomem decisões de forma autônoma, apenas informando os líderes sobre o que funciona ou não. Nesse contexto, a transparência no processo de tomada de decisão é muito importante, especialmente para ajudar o time a criar confiança e oferecer o que o cliente realmente precisa. E o CEO é indispensável neste processo, pois é ele que passará essa confiança aos colaboradores.

5. Flexibilidade e adaptabilidade

Sua empresa não é um modelo de negócios único. Pelo contrário, ela deve estar aberta a mudanças e adaptações em seu planejamento estratégico, especialmente em contextos de transformação digital ou social. A pandemia foi um exemplo disso, colocando à prova a estratégia de negócio de muitas empresas que precisaram levar suas operações para o ambiente digital.

Dessa forma, para inovar, as empresas devem parar de pensar e agir como se fossem organizações monolíticas, sendo tarefa do CEO gerenciar os vários modelos de negócios em diferentes fases.

6. Fracasse rápido e aprenda com os erros

Quando falamos em inovar, o fracasso pode ser uma coisa boa. Ou, ao menos, quando ele acontece rapidamente. Quanto antes você testar algo e errar, maiores as chances de resolver o problema e seguir em frente. Para inovar, é preciso abraçar o fracasso. É claro que falhar não é o objetivo final, mas todo CEO deve saber aprender com os erros para levar o negócio adiante e realmente trazer lucros para o negócio.

7. Impaciente pelos lucros, paciente pelo crescimento

Um dos principais motivos do fracasso das empresas na hora de inovar é a impaciência. Mesmo que a ideia seja boa, em geral não é aconselhável aplicar mudanças em grande escala. De fato, nenhuma nova solução deve escalar até que seu modelo de negócios tenha sido validado. E é função do CEO ir em busca dessa validação, para então encontrar o timing certo para iniciar a inovação em grande escala.

Bônus: busque o equilíbrio

Por fim, empresas inovadoras são aquelas em que a inovação tem prioridade. Geralmente, o CEO deve gastar mais de 50% de seu tempo com a gestão de inovação. Ou ainda, encontrar o equilíbrio entre gerenciar aquilo que já existe, e dar apoio àquilo que está sendo desenvolvido. Tudo é questão de equilíbrio, e o CEO deve estar presente em cada um desses processos, igualmente.

Conclusão

Por fim, foi possível perceber o quão importante é a figura do CEO ou qualquer tipo de liderança quando o assunto é inovação. Além disso, ficou claro que a inovação não existe em segundo plano, ela precisa fazer parte da cultura da empresa, os colaboradores precisam respirá-la e viver dela todos os dias, e é função da liderança fomentar esse espírito de inovação.

Estando lado a lado da equipe e oferecendo todo o suporte necessário para enfrentar os paradoxos vividos dia após dia, o CEO tem muitas chances de levar a empresa um passo adiante do que está hoje — não apenas inovando em produtos e serviços, mas também transformando a vida de cada pessoa envolvida nesse processo.

E quando falamos em inovação, um dos exemplos atuais de como o mundo vem se transformando é a ideia do Metaverso. Neste artigo, você entende melhor sobre o tema e confere como esta novidade pode impactar a realidade das empresas.

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